Case · HealthTech B2B · 2021 a 2024
Assumindo a batata quente que ninguém queria
Empresa, INSS e funcionário afastado se culpavam em círculo, e ninguém segurava o problema. A gente segurou. Em três anos a Simples acompanhou 114 afastamentos, economizou R$ 85 mil em impostos para os clientes e chegou a 94% de margem. Funcionou. E mesmo assim não escalou. Aqui estão as duas partes.
- Empresa
- Simples, HealthTech B2B de gestão de afastados
- Meu papel
- Cofundador, Product Lead, marca e vendas
- Equipe
- Eu e a Lívia, analista previdenciária
- Período
- 2021 a 2024, encerrada
- Ferramentas
- Airtable, Softr, Make, Illustrator, Photoshop, Excel
Resultados em números
114
Afastamentos acompanhados em 3 anos
R$ 85 mil
Economizados em impostos pelas empresas
94%
Margem bruta, com R$ 8 mil por ano de custo
3
Limbos previdenciários resolvidos
PrólogoA lista fantasma
Um problema que todo mundo empurrava para o outro
A Lívia, minha sócia, era analista previdenciária numa transportadora com mais de 5 mil funcionários. Mais de 300 estavam afastados. E havia uma lista que ninguém abria: a lista fantasma.
Caso a caso, ela foi limpando a lista. Achou um colaborador que já tinha falecido e seguia ativo no sistema. E um motorista afastado por saúde que continuava batendo ponto e dirigindo, havia semanas. Se algo acontecesse na estrada, o problema deixava de ser de RH.
Liguei para alguns amigos empresários. Todos contaram a mesma história, com outros nomes.
O jogo da batata quente
Aperte o play e veja quem fica com ela.
- RH“Isso é com o jurídico.”
- Jurídico“Isso é com o INSS.”
- INSS“Isso é desorganização da empresa.”
- Funcionário afastadoFica com a batata: saúde comprometida e salário incerto.
A Simples nasceu para segurar a batata.
01A marca
Um nome que promete o contrário do assunto
Afastamento é assunto árido: laudo, perícia, CID, prazo, carimbo. Por isso o nome precisava fazer o caminho inverso. Depois de algumas rodadas de brainstorming e mapa mental, ficou claro. Simples. Para uma empresa que existe para simplificar o que é burocrático, não tinha nome melhor.
1Inspiração
A referência foi a Dengo: letra à mão, cor quente e nada de cara de cartório. Quem lida com afastamento já está cansado de formulário. A marca precisava parecer gente.
2Logo
Uma linha só, sem tirar a caneta do papel, como uma assinatura. O lettering foi desenhado à mão pelo tipógrafo Gabriel Gakas.
Gabriel GakasTipógrafo e Diretor Criativo Associado na DRUID Creative Gaming
3Ilustrações
Desenhei mais de 70 ícones do zero, no mesmo traço contínuo do logo. Num assunto pesado, o desenho à mão foi o que mais aproximou o funcionário.
70 ícones, todos à mão
4Sistema
5Fundo de call
Até o fundo da videochamada virou marca: uma sala desenhada no mesmo traço, para a conversa com o afastado começar num lugar acolhedor.
6A Lili
Chegamos a criar uma personagem virtual, a Lili, para explicar as situações burocráticas. Mas, mesmo com a tecnologia, o que fazia diferença era falar com o funcionário um a um e mostrar que estávamos juntos no desafio.
7Fora da tela
A Lívia e a xícara da casa.
O cartão, rosa como a marca.
E no meio dos lírios.
Eu, na fase de vender o que ainda nem existia.
8O filme
Vinte segundos para explicar a Simples: o emaranhado vira uma linha só.
02O planejamento
Vendemos primeiro. Construímos depois.
1Esboço
Tudo começou no papel. Empresa, trabalhador, saúde e INSS ligados por setas e, no meio de todas elas, uma palavra: simples.
A ideia virou empresa num domingo, numa pizzaria. A gente explicava o projeto para a família quando o Marcelo, dono de uma empresa de infraestrutura com mais de 200 funcionários, pediu para trocar de lugar na mesa. Queria entrar na conversa.
Contou de um técnico atacado por abelhas enquanto instalava fibra óptica num poste, e do afastamento cheio de complicações que veio depois. No fim, disse que ia passar o nosso contato para a head de RH.
Um detalhe: ele achou que a empresa já existia.
Na semana seguinte chegou o e-mail do RH pedindo para conhecer os serviços. Respondemos que a proposta sairia na segunda-feira e saímos correndo: abrir o CNPJ, montar a proposta de valor e um sistema mínimo que funcionasse. Sem aquele prazo, a gente teria passado mais seis meses planejando.
2Pesquisa
Mapeei o que cada lado dizia. A empresa queria reduzir turnover e se proteger juridicamente, mas não sabia acompanhar o afastado. O INSS, com a perícia lotada, culpava a empresa. O funcionário não sabia a quem recorrer e tinha medo de perder o emprego.
No meio dos três círculos, ninguém. Era ali que a Simples ia morar.
3Problema
As empresas não sabem lidar com os funcionários afastados. E pagam por isso três vezes.

Funcionários insatisfeitos
Instabilidade econômica para quem está afastado e para a família.

Aumento de impostos
O FAP, uma multa sobre os acidentes de trabalho, sobe a cada caso mal conduzido.

Aumento de passivos
Sem documentação, a empresa não tem como se defender.
4Quem somos
O jeito simples de ser: respeitar o ciclo da vida e acolher quem está afastado, a empresa e o trabalhador, em todas as etapas. A jornada tinha nove passos, da solicitação ao relatório.
- Solicitação
- Informações do afastado
- Contato com o afastado
- Esclarecer dúvidas
- Perícia do INSS
- Resultado da perícia
- Atualização médica periódica
- Retorno ao trabalho
- Relatório e documentação
5Serviços
Quatro serviços, cada um com a sua unidade de cobrança. Definir isso cedo foi o que deixou a proposta pronta em três dias.
-
Gestão de afastados
Acompanhamento do afastamento comum e do acidente de trabalho.
Por pessoa, mensal
-
Contestação de NTEP
Contestação de acidente de trabalho pela via administrativa.
Por caso
-
Contestação do FAP
Contestação do imposto ligado aos acidentes de trabalho.
Anual, por CNPJ
-
Apoio ao RH
Histórico de afastamentos organizado e pronto para consulta.
Por pessoa
03A infraestrutura
De planilha a sistema, por R$ 8 mil por ano
A primeira versão rodava em Excel, Google Sheets e Gmail. Funcionava, mas cada caso novo era mais uma aba. Na segunda, a operação inteira foi para ferramentas no-code: Airtable como banco, Softr na interface, Make nas automações e Google Workspace no dia a dia. Sem programador e sem referência no mercado.
1V1 e V2

Arraste a linha para comparar as duas versões.
2Por dentro
As tabelas e as ligações que levam cada afastamento até o cálculo do FAP.
A base de afastamentos no Airtable: cada caso com prazos, perícias e documentos.
Trocar o status de um caso, do afastamento ao retorno, em poucos cliques.
04O produto
Um painel para a empresa. Uma pessoa para o funcionário.
Para a empresa, um dashboard com tudo num lugar só. Para o funcionário, uma equipe de especialistas que agenda a perícia, acompanha o benefício e conduz a volta ao trabalho.
1Dashboard
-
Em andamentoOs afastados de agora, por tipo: acidente de trabalho, afastamento comum, retornos no mês, COVID e limbo previdenciário.
-
A filaCada caso na etapa em que está: aguardando perícia, médico ou retorno. Os críticos ficam separados.
-
SegmentaçãoOnde o afastamento nasce: por setor, por CID e por causa.
-
HistóricoAno a ano, por tipo de afastamento. Dá para ver o que cresceu.
-
FAPA evolução do FAP, o imposto que sobe com cada acidente de trabalho.
-
MercadoA empresa comparada com o mercado do mesmo setor.
Toque nos números para ver o que cada parte do painel mostra.
2Site
05O resultado
O que três anos deixaram
114
Afastamentos acompanhados: 62 de COVID e 27 acidentes de trabalho
3
Limbos previdenciários resolvidos
7%
A menos no tempo médio de afastamento
R$ 85 mil
Economizados em impostos pelas empresas
94%
Margem bruta
R$ 6 mil
Ticket médio por mês
Quem viveu de perto
Do ponto de vista de governança, a Simples trouxe controle e visibilidade sobre um risco trabalhista e previdenciário sério. Trabalho bem estruturado.
Marcelo AdornoChief Board · Grupo BinárioSim, o Marcelo da pizzaria.
Como especialista em FAP, vi na Simples a solução que faltava: organização, integração e resultado concreto na redução do tributo.
Dynamene FernandesCoordenadora do Projeto FAP RAT · FIESP
A Simples simplificou um processo burocrático e desgastante, centralizando informações e facilitando a rotina administrativa.
Mariana F. Coleti ReisAnalista Administrativo de Marketing · Irrigabras
A Simples colocou o colaborador no centro de um problema geralmente tratado só como custo. Cuidado humano com resultado concreto para a empresa.
Mary Cristina PereiraFounder e CEO · FindYOU HR Tech
A Simples mostrou que é possível gerar resultado relevante atacando um problema que ninguém queria assumir. Lição valiosa para qualquer founder.
Léo XavierSócio fundador · Môre e Noou.ai
06O fim
Funcionou. E mesmo assim não escalou.
Encerramos em outubro de 2024. Sem briga e sem mágoa, só a percepção, aos poucos, de que o negócio não ia se sustentar. Foram quatro motivos, na ordem em que pesaram.
Uma venda difícil de mostrar valor
Havia dois tipos de cliente: o que sabia vagamente do problema, mas ainda não tinha sentido no bolso, e o que já tinha vivido o trauma. Os dois eram difíceis de abordar. Era vender prevenção, técnica e emoção ao mesmo tempo, como vender plano funerário para quem nunca enfrentou um luto.
Consultoria disfarçada de SaaS
Mesmo com as automações, cada caso pedia um especialista. A plataforma não rodava sozinha. Isso dá margem alta, mas não dá escala.
O mercado não estava procurando por nós
Não existia a categoria. Ninguém pesquisava “gestão de afastados” no Google. Criar uma categoria do zero pede capital para educar o mercado, viralidade ou venda consultiva pesada. Tentamos as três. Nenhuma andou no ritmo que precisava.
Desalinhamento entre sócios
No começo era relógio suíço: a Lívia trazia a expertise previdenciária e eu traduzia em produto e venda. Depois de dois anos estagnados, ela recebeu uma proposta da SulAmérica. Tentei seguir sozinho, mas sem ela os casos complexos ficavam sem a resposta certa, e a qualidade caiu.
Três aprendizados
Produto que funciona não é negócio que escala
A Simples resolvia o problema de verdade. Isso não quer dizer que existia um mercado disposto a pagar no volume necessário. Hoje testo a segunda hipótese com o mesmo rigor da primeira.
Margem alta sem volume é hobby
94% de margem parece ótimo. Mas 94% de R$ 10 mil por mês não sustenta dois sócios. Volume importa tanto quanto margem, e eu demorei para encarar essa conta.
Impacto real não paga as contas
Tirar um pai de família do limbo previdenciário depois de anos sem resposta vale mais que qualquer métrica. E não entra no caixa. Hoje separo as duas coisas quando avalio se uma ideia vira empresa.
Não deu certo. Mas o que aprendi nesse processo não tem preço, mesmo que o processo em si tenha custado caro.






