Gabriel Amaral Todos os cases

Case · HealthTech B2B · 2021 a 2024

Assumindo a batata quente que ninguém queria

Empresa, INSS e funcionário afastado se culpavam em círculo, e ninguém segurava o problema. A gente segurou. Em três anos a Simples acompanhou 114 afastamentos, economizou R$ 85 mil em impostos para os clientes e chegou a 94% de margem. Funcionou. E mesmo assim não escalou. Aqui estão as duas partes.

Gabriel e Lívia, os dois sócios da Simples, lado a lado na porta do prédio do INSS, em preto e branco.
Eu e a Lívia, sócios na Simples, na porta do INSS.
Empresa
Simples, HealthTech B2B de gestão de afastados
Meu papel
Cofundador, Product Lead, marca e vendas
Equipe
Eu e a Lívia, analista previdenciária
Período
2021 a 2024, encerrada
Ferramentas
Airtable, Softr, Make, Illustrator, Photoshop, Excel

Resultados em números

114

Afastamentos acompanhados em 3 anos

R$ 85 mil

Economizados em impostos pelas empresas

94%

Margem bruta, com R$ 8 mil por ano de custo

3

Limbos previdenciários resolvidos

01A marca

Um nome que promete o contrário do assunto

Afastamento é assunto árido: laudo, perícia, CID, prazo, carimbo. Por isso o nome precisava fazer o caminho inverso. Depois de algumas rodadas de brainstorming e mapa mental, ficou claro. Simples. Para uma empresa que existe para simplificar o que é burocrático, não tinha nome melhor.

1Inspiração

A referência foi a Dengo: letra à mão, cor quente e nada de cara de cartório. Quem lida com afastamento já está cansado de formulário. A marca precisava parecer gente.

Painel de inspiração com a marca Dengo: logo escrito à mão sobre amarelo, embalagens de chocolate e estampas tropicais.
O painel de inspiração.

2Logo

Uma linha só, sem tirar a caneta do papel, como uma assinatura. O lettering foi desenhado à mão pelo tipógrafo Gabriel Gakas.

Gabriel GakasTipógrafo e Diretor Criativo Associado na DRUID Creative Gaming

  • Lettering Don’t be the same, be different, em giz sobre preto.
  • Lettering You make me happy, em vermelho sobre roxo.
  • Lettering Leve os seus sonhos a sério, em dourado sobre verde.
Prancha do logo: a palavra simples escrita à mão num tablet, em preto, em branco e sobre rosa.
As versões do logo.

3Ilustrações

Desenhei mais de 70 ícones do zero, no mesmo traço contínuo do logo. Num assunto pesado, o desenho à mão foi o que mais aproximou o funcionário.

70 ícones, todos à mão

Processo de ilustração: o farol desenhado em linha, rascunhos e a grade com todos os ícones no Illustrator.
Do rascunho à grade: o processo dos ícones.

4Sistema

Prancha da marca Simples: logo, a frase Somos a ponte entre sua empresa e o INSS, a ponte com uma peça de quebra-cabeça, variações do lettering, paleta rosa e os ícones.
Paleta rosa, letra manuscrita, a ponte como símbolo e os ícones: a marca inteira numa prancha.

5Fundo de call

Até o fundo da videochamada virou marca: uma sala desenhada no mesmo traço, para a conversa com o afastado começar num lugar acolhedor.

Fundo de videochamada ilustrado: estante, planta, janela vermelha e um pufe, com um quadrinho da Simples na parede.
O fundo.

6A Lili

Chegamos a criar uma personagem virtual, a Lili, para explicar as situações burocráticas. Mas, mesmo com a tecnologia, o que fazia diferença era falar com o funcionário um a um e mostrar que estávamos juntos no desafio.

A Lili, personagem virtual da Simples: uma analista de óculos azuis acenando, sorridente.

7Fora da tela

  • Lívia sorrindo com uma xícara da Simples na mão.A Lívia e a xícara da casa.
  • Cartão de visita rosa da Simples fincado na areia de uma praia.O cartão, rosa como a marca.
  • Cartão da Simples no meio de lírios cor de rosa.E no meio dos lírios.
  • Gabriel sorrindo, com um copo na mão, em preto e branco.Eu, na fase de vender o que ainda nem existia.

8O filme

Vinte segundos para explicar a Simples: o emaranhado vira uma linha só.

02O planejamento

Vendemos primeiro. Construímos depois.

1Esboço

Tudo começou no papel. Empresa, trabalhador, saúde e INSS ligados por setas e, no meio de todas elas, uma palavra: simples.

Folhas de caderno com as primeiras anotações: empresa, trabalhador, saúde e INSS ligados por setas, o nome Simples e post-its.
As primeiras anotações.

A ideia virou empresa num domingo, numa pizzaria. A gente explicava o projeto para a família quando o Marcelo, dono de uma empresa de infraestrutura com mais de 200 funcionários, pediu para trocar de lugar na mesa. Queria entrar na conversa.

Contou de um técnico atacado por abelhas enquanto instalava fibra óptica num poste, e do afastamento cheio de complicações que veio depois. No fim, disse que ia passar o nosso contato para a head de RH.

Um detalhe: ele achou que a empresa já existia.

Na semana seguinte chegou o e-mail do RH pedindo para conhecer os serviços. Respondemos que a proposta sairia na segunda-feira e saímos correndo: abrir o CNPJ, montar a proposta de valor e um sistema mínimo que funcionasse. Sem aquele prazo, a gente teria passado mais seis meses planejando.

2Pesquisa

Mapeei o que cada lado dizia. A empresa queria reduzir turnover e se proteger juridicamente, mas não sabia acompanhar o afastado. O INSS, com a perícia lotada, culpava a empresa. O funcionário não sabia a quem recorrer e tinha medo de perder o emprego.

No meio dos três círculos, ninguém. Era ali que a Simples ia morar.

Diagrama de Venn com INSS, funcionário afastado e empresa, cada círculo cheio de post-its com as dores levantadas.
As dores de cada lado. Repare que “a culpa é da empresa” aparece em dois círculos.

3Problema

As empresas não sabem lidar com os funcionários afastados. E pagam por isso três vezes.

  1. Funcionários insatisfeitos

    Instabilidade econômica para quem está afastado e para a família.

  2. Aumento de impostos

    O FAP, uma multa sobre os acidentes de trabalho, sobe a cada caso mal conduzido.

  3. Aumento de passivos

    Sem documentação, a empresa não tem como se defender.

Prancha do problema: as empresas não sabem como lidar com seus funcionários afastados, com as três consequências e um emaranhado de linhas.
A prancha original.

4Quem somos

O jeito simples de ser: respeitar o ciclo da vida e acolher quem está afastado, a empresa e o trabalhador, em todas as etapas. A jornada tinha nove passos, da solicitação ao relatório.

  1. Solicitação
  2. Informações do afastado
  3. Contato com o afastado
  4. Esclarecer dúvidas
  5. Perícia do INSS
  6. Resultado da perícia
  7. Atualização médica periódica
  8. Retorno ao trabalho
  9. Relatório e documentação
Prancha Jeito simples de ser, com o texto de valores e a linha do tempo do acompanhamento do afastado, do acidente ao retorno.
O jeito simples de ser.

5Serviços

Quatro serviços, cada um com a sua unidade de cobrança. Definir isso cedo foi o que deixou a proposta pronta em três dias.

  • Gestão de afastados

    Acompanhamento do afastamento comum e do acidente de trabalho.

    Por pessoa, mensal

  • Contestação de NTEP

    Contestação de acidente de trabalho pela via administrativa.

    Por caso

  • Contestação do FAP

    Contestação do imposto ligado aos acidentes de trabalho.

    Anual, por CNPJ

  • Apoio ao RH

    Histórico de afastamentos organizado e pronto para consulta.

    Por pessoa

Prancha dos serviços da Simples: gestão de afastados, contestação de NTEP, contestação do FAP e apoio ao RH, cada um com a sua forma de cobrança.
A prancha dos serviços.

03A infraestrutura

De planilha a sistema, por R$ 8 mil por ano

A primeira versão rodava em Excel, Google Sheets e Gmail. Funcionava, mas cada caso novo era mais uma aba. Na segunda, a operação inteira foi para ferramentas no-code: Airtable como banco, Softr na interface, Make nas automações e Google Workspace no dia a dia. Sem programador e sem referência no mercado.

1V1 e V2

Versão 2: Airtable, Softr e Make, com o mapa de automações e a base de afastados.
Versão 1: Excel, Google Sheets e Gmail, com a agenda de contatos e o cadastro em planilha.

Arraste a linha para comparar as duas versões.

2Por dentro

As tabelas e as ligações que levam cada afastamento até o cálculo do FAP.

04O produto

Um painel para a empresa. Uma pessoa para o funcionário.

Para a empresa, um dashboard com tudo num lugar só. Para o funcionário, uma equipe de especialistas que agenda a perícia, acompanha o benefício e conduz a volta ao trabalho.

1Dashboard

Dashboard da Simples: afastamentos em andamento, segmentação por setor, CID e causa, histórico de afastados, evolução do FAP, comparação com o mercado e casos por mês.
  1. Em andamentoOs afastados de agora, por tipo: acidente de trabalho, afastamento comum, retornos no mês, COVID e limbo previdenciário.
  2. A filaCada caso na etapa em que está: aguardando perícia, médico ou retorno. Os críticos ficam separados.
  3. SegmentaçãoOnde o afastamento nasce: por setor, por CID e por causa.
  4. HistóricoAno a ano, por tipo de afastamento. Dá para ver o que cresceu.
  5. FAPA evolução do FAP, o imposto que sobe com cada acidente de trabalho.
  6. MercadoA empresa comparada com o mercado do mesmo setor.

Toque nos números para ver o que cada parte do painel mostra.

2Site

  • Site da Simples num notebook, com as telas do sistema ao fundo.
  • Três telas do site no celular: o emaranhado do problema, gestão de afastados e o que é o FAP.
  • Mão segurando um celular com a ficha de um afastamento no sistema.
  • Site da Simples num notebook, num tablet e num celular, sobre uma mesa rosa.

05O resultado

O que três anos deixaram

114

Afastamentos acompanhados: 62 de COVID e 27 acidentes de trabalho

3

Limbos previdenciários resolvidos

7%

A menos no tempo médio de afastamento

R$ 85 mil

Economizados em impostos pelas empresas

94%

Margem bruta

R$ 6 mil

Ticket médio por mês

Quem viveu de perto

Do ponto de vista de governança, a Simples trouxe controle e visibilidade sobre um risco trabalhista e previdenciário sério. Trabalho bem estruturado.

Marcelo AdornoChief Board · Grupo BinárioSim, o Marcelo da pizzaria.

Como especialista em FAP, vi na Simples a solução que faltava: organização, integração e resultado concreto na redução do tributo.

Dynamene FernandesCoordenadora do Projeto FAP RAT · FIESP

A Simples simplificou um processo burocrático e desgastante, centralizando informações e facilitando a rotina administrativa.

Mariana F. Coleti ReisAnalista Administrativo de Marketing · Irrigabras

A Simples colocou o colaborador no centro de um problema geralmente tratado só como custo. Cuidado humano com resultado concreto para a empresa.

Mary Cristina PereiraFounder e CEO · FindYOU HR Tech

A Simples mostrou que é possível gerar resultado relevante atacando um problema que ninguém queria assumir. Lição valiosa para qualquer founder.

Léo XavierSócio fundador · Môre e Noou.ai

06O fim

Funcionou. E mesmo assim não escalou.

Encerramos em outubro de 2024. Sem briga e sem mágoa, só a percepção, aos poucos, de que o negócio não ia se sustentar. Foram quatro motivos, na ordem em que pesaram.

  1. Uma venda difícil de mostrar valor

    Havia dois tipos de cliente: o que sabia vagamente do problema, mas ainda não tinha sentido no bolso, e o que já tinha vivido o trauma. Os dois eram difíceis de abordar. Era vender prevenção, técnica e emoção ao mesmo tempo, como vender plano funerário para quem nunca enfrentou um luto.

  2. Consultoria disfarçada de SaaS

    Mesmo com as automações, cada caso pedia um especialista. A plataforma não rodava sozinha. Isso dá margem alta, mas não dá escala.

  3. O mercado não estava procurando por nós

    Não existia a categoria. Ninguém pesquisava “gestão de afastados” no Google. Criar uma categoria do zero pede capital para educar o mercado, viralidade ou venda consultiva pesada. Tentamos as três. Nenhuma andou no ritmo que precisava.

  4. Desalinhamento entre sócios

    No começo era relógio suíço: a Lívia trazia a expertise previdenciária e eu traduzia em produto e venda. Depois de dois anos estagnados, ela recebeu uma proposta da SulAmérica. Tentei seguir sozinho, mas sem ela os casos complexos ficavam sem a resposta certa, e a qualidade caiu.

Três aprendizados

Produto que funciona não é negócio que escala

A Simples resolvia o problema de verdade. Isso não quer dizer que existia um mercado disposto a pagar no volume necessário. Hoje testo a segunda hipótese com o mesmo rigor da primeira.

Margem alta sem volume é hobby

94% de margem parece ótimo. Mas 94% de R$ 10 mil por mês não sustenta dois sócios. Volume importa tanto quanto margem, e eu demorei para encarar essa conta.

Impacto real não paga as contas

Tirar um pai de família do limbo previdenciário depois de anos sem resposta vale mais que qualquer métrica. E não entra no caixa. Hoje separo as duas coisas quando avalio se uma ideia vira empresa.

Não deu certo. Mas o que aprendi nesse processo não tem preço, mesmo que o processo em si tenha custado caro.